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PROBLEMAS AMBIENTAIS
Prof. Artur Bergelt
EFEITO ESTUFA
O efeito estufa é um fenômeno natural que mantém o planeta aquecido nos limites de temperatura necessários para a manutenção da vida. O calor da energia solar, após atingir a superfície da Terra, é aprisionado pela camada de gases atmosféricos, formada pelo carbono e vapor d´água, entre outros, que funciona como uma redoma protetora. Sem isso, a superfície terrestre seria toda coberta de gelo. O problema é que o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O), lançados principalmente pelas chaminés das indústrias, pela queima das florestas e pelo escapamento dos automóveis, estão engrossando esse “cobertor”. Se as emissões continuarem aumentando, é quase certo que no decorrer do século XXI os níveis de dióxido de carbono duplicarão em relação aos tempos anteriores à era industrial. As temperaturas médias poderão estar entre 1,4oC e 5,8oC mais altas que em 1990.
Diversas pesquisas confirmam o aumento da temperatura média global. De acordo com os cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, o século XX foi o mais quente dos últimos cinco, com aumento de temperatura média entre 0,3oC e 0,6oC.
Uma parcela da comunidade científica, no entanto, suspeita que esse aquecimento seja um fenômeno natural: faria parte de mudanças cíclicas no clima terrestre, causada por fatores físicos, químicos e geológicos. Os regimes climáticos já mudaram muitas vezes em tempos remotos, antes e depois da existência do ser humano.
O que se sabe com certeza é que, se o aquecimento prosseguir, o degelo das calotas polares pode fazer o nível das águas oceânicas subir até um metro durante o século XXI, o que inundaria cidades e plantações e provocaria o êxodo de milhares de pessoas em todo o mundo. Na avaliação de Impactos Climáticos do Ártico, estudo internacional envolvendo 300 pesquisadores, divulgado em 2004, foi detectado que a temperatura média subiu mais rapidamente na região que no resto do planeta nas últimas décadas. Pelo menos 8% da capa de gelo ártica, situada sobre o mar, desapareceu nos últimos 30 anos.
Protocolo de Kyoto: Em 1997, os líderes de 84 nações assinaram o Protocolo da Kyoto. Pelo documento, os países desenvolvidos se comprometem a reduzir sua emissão de gases do efeito estufa (em particular, o dióxido de carbono) em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta, que deve ser cumprida entre 2008 e 2012, não é a mesma para todas as nações: 8% para a União Européia, 7% para os EUA e 6% para o Japão. Países em desenvolvimento não têm meta. Ao aderir e ratificar o protocolo, cada país é obrigado a adotar políticas públicas e leis para cumprir sua cota de redução.
Para entrar em vigor, o acordo precisa ser ratificado (aprovado como lei) por pelo menos 55 nações que representem pelo menos 55% das emissões do mundo desenvolvido. O acordo não foi ratificado pelos EUA. O presidente estadunidense, George W. Bush, argumenta que o protocolo é prejudicial à economia de seu país. Por isso, a adesão da Rússia, um dos maiores emissores de poluentes, passou a ser fundamental para que o acordo entrasse oficialmente em vigor. Após anos de controvérsia, a ratidicação russa é confirmada pelo Parlamento daquele país em outubro de 2004. Até dezembro, 129 nações haviam confirmado a adesão, no total de 61,6% das emissões. Dessa maneira, o Protocolo de Kyoto passa a vigorar em 16 de fevereiro de 2005.
O BURACO DA CAMADA DE OZÔNIO
A estratosfera, situada entre 20 e 35 km de altitude, é composta basicamente de um gás rarefeito constituído de moléculas com três átomos de oxigênio, o ozônio (O3). Esse gás funciona como uma espécie de filtro do planeta, absorvendo parte da radiação ultravioleta B (UVB) emitida pelo Sol. Sem essa proteção, a radiação diminuiria a capacidade de fotossíntese das plantas e promoveria maior desenvolvimento das doenças, como câncer de pele e catarata.
O aparecimento de buracos da camada de ozônio é um processo natural. No hemisfério sul, eles surgem e se dissipam durante a primavera, em virtude de reações de destruição e produção de ozônio. A atividade humana vem acentuando, porém, esse mecanismo da natureza. As emissões de substâncias químicas halogenadas artificiais, entre elas os clorofluorcarbonos (CFCs), desenvolvidos na década de 30 para ser utilizados principalmente como fluídos refrigerantes em geladeiras e sistemas de ar-condicionado, e o processo de aquecimento global intensificam as reações químicas que destroem o ozônio.
Em setembro de 2003, o buraco da camada de ozônio sobre a região da Antártica cresce e atinge a segunda maior área registrada: 28,2 milhões de quilômetros quadrados, o triplo da área dos EUA, depois de ter se apresentado em 2002 com 15,6 milhões de quilômetros quadrados, dividido em dois. Em setembro de 2004 observa-se uma redução no tamanho do buraco na atmosfera sobre a Antártica, oscilando entre 20 milhões e 23 milhões de quilômetros quadrados.
Protocolo de Montreal: A urgência em proteger a camada de ozônio fez 24 países desenvolvidos assinar um compromisso em 1987, o Protocolo de Montreal. Até dezembro de 2004, 188 nações haviam ratificado o acordo. Objetivo: erradicação gradual das substâncias nocivas à camada de ozônio, entre elas os CFCs, os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs), que são fluidos refrigerantes e agentes para produção de espumas; os halons, substâncias usadas na extinção de incêndios; o brometo de metila, utilizado como inseticida; o cloreto de metila; e o tetracloreto de carbono. Os dois últimos são empregados como solvente. O protocolo estabeleceu um cronograma preciso, começando pelos CFCs – suprimindo em 1995 nas nações industrializadas e com prazo de até 2010 para ser eliminado nas em desenvolvimento. O acordo surte efeito: entre 1988 e 1995, o consumo de CFC cai 76% no mundo inteiro.
No entanto, a efetivação do protocolo enfrenta problemas. Em meados da década de 1990, um mercado negro de CFCs começa a se consolidar.
CHUVA ÁCIDA
Um dos grandes problemas ambientais do mundo contemporâneo é a chuva ácida, neve ou neblina com alta concentração de ácidos em sua composição. Com denominação genérica de chuva ácida, sua origem são os óxidos de nitrogênio (NOx) e o dióxido de enxofre (SO2), liberados na atmosfera durante a queima de combustíveis fósseis (principalmente o carvão mineral). Esses compostos reagem com o vapor de água presente na atmosfera, formando o ácido nitroso (HNO3) e o ácido sulfúrico (H2SO4), que depois se precipitam e alteram as características do solo e da água, o que compromete lavouras, florestas e a vida aquática. Também danificam edifícios e monumentos históricos.
Até os anos 1990, os EUA eram os principais responsáveis pelo fenômeno, quando são superados pelos países da Ásia. Altamente dependentes do carvão, essas nações lançam na atmosfera cerca de 34 milhões de toneladas de SO2 ao ano.
INVERSÃO TÉRMICA
Em condições normais e por influência de altitude, o ar próximo ao solo é mais quente do que o ar que está mais alto. Essa diferença de temperatura ocasiona movimentos de convecção e a conseqüente formação de ventos, que, por sua vez, facilitam a dissipação de gases poluentes lançados na atmosfera.
No inverno, a rápida penetração de ar de origem polar provoca a inversão das camadas atmosféricas. Por ser mais denso e, portanto, mais pesado, o ar frio penetra sob a camada de ar quente, deslocando-o para cima e causando, assim, uma inversão térmica.
Com a inversão térmica, os gases poluentes não se dissipam, ficando retidos perto da superfície. Esse fenômeno agrava a poluição no inverno em cidades como Nova Iorque, Tóquio e São Paulo e é responsável pelo aumento do número de doenças respiratórias nessa época o ano, principalmente entre crianças e idosos.
Para reduzir o problema, a cidade do México instituiu o rodízio permanente de carros na área central da cidade, iniciativa repetida em São Paulo a partir de 1995, durante o inverno. Nessas cidades, a circulação de carros é controlada de acordo com o número final da chapa do veículo.
ILHAS DE CALOR
Nos espaços altamente urbanizados, é significativa a diferença de temperatura entre a região central, mais quente, e a periferia, com menor temperatura. Em alguns casos, a diferença pode chegar a 9o C. Isso ocorre porque nas áreas centrais os automóveis e indústrias lançam poluentes, que provocam o aumento da temperatura. O concreto e o asfalto absorvem rapidamente o calor, cuja dispersão é dificultada pela poluição.
Uma das formas de evitar a formação dessas ilhas de calor é a manutenção de áreas verdes nos centros urbanos, pois a vegetação altera os índices de reflexão do calor e favorece a manutenção da umidade relativa do ar.
A QUESTÃO DO LIXO
A intensa produção gerada pelo sistema capitalista é responsável também pela enorme produção de lixo, que se acumula nas grandes cidades. Como conseqüência do caráter descartável do consumo, os lixões não têm apenas restos de alimentos, papelão, papéis e detritos. Em meio ao lixo “sujo”, há o lixo já concebido como tal no próprio processo de produção: As embalagens plásticas e os produtos one way, tornados inúteis depois de apenas alguns minutos de uso. Os destinos mais empregados para o lixo são o lixão a céu aberto, o aterro sanitário, a incineração e a reciclagem, que ainda é bastante incipiente.
Os lixões causam problemas de poluição das águas subterrâneas, pois a lixiviação dos materiais do lixo provoca provocada pela chuva libera substâncias perigosas. Além disso, a decomposição do lixo orgânico produz metano, um gás que pode causar explosões. Muitas vezes o lixo urbano é simplesmente jogado no rio da cidade. O acúmulo de lixo no leito do rio eleva o nível das águas, podendo provocar enchentes.
Os aterros sanitários são o modo mais cômodo de lidar com o lixo urbano. O lixo é disposto em camadas alternadas com argila e compactadas com a ajuda de tratores. Essa solução impede o aproveitamento do lixo, contamina os lençóis subterrâneos, limita o uso posterior da terra e ainda implica o risco de explosão.
A incineração do lixo, outra alternativa muito adotada, libera gases altamente poluentes. As cinzas que sobram geralmente são colocadas em depósitos, poluindo o solo e as águas subterrâneas.
Em face de tantos riscos, os países industrializados têm adotado cada vez mais a reciclagem como solução para a disposição final do lixo urbano. No Japão, 50% de todo o lixo é reciclado; nos EUA, o índice é de 13%; na Alemanha, 17%.
No processo de reciclagem, o lixo inorgânico volta para as indústrias e, depois de limpo, é tratado e reaproveitado na produção. Estima-se que cada tonelada de papel reciclado poupa 25 árvores, reduz significativamente o despejo de resíduos químicos nos rios para a produção de celulose, além de representar uma economia de energia de 70%.
Muitos países subdesenvolvidos, como o Brasil, também começaram a adotar a reciclagem do lixo, para reaproveitamento nas indústrias e produção de adubo a partir de lixo orgânico decomposto, embora ainda em pequena escala. Em muitos casos, a reciclagem esbarra na falta de técnicas apropriadas ou de iniciativas conjuntas entre prefeituras e empresas.
DESMATAMENTO
No Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, as selvas equatoriais e tropicais ocupam extensas áreas, que, juntas, correspondem a 40% da reserva total dessas florestas no mundo.
O equilíbrio desse ecossistema vem sendo quebrado pela eliminação de florestas para exploração de minerais, extração de madeira, implantação de projetos agropecuários e imobiliários, construção de cidades e estradas.
A forma mais comum de realizar o desmatamento é a queimada, o que torna o solo incapaz de absorver matéria orgânica, além de lançar na atmosfera grandes quantidades de dióxido de carbono, responsável pelo efeito estufa.
A derrubada de florestas em grande escala provoca também alterações no clima da região, diminui os reservatórios de água subterrâneos, aumenta o processo erosivo e a desertificação e elimina uma grande quantidade de espécies de vida, o que acarreta uma perda inestimável de material genético que sequer se conhece e que poderia ser utilizado como alimento, como matéria-prima e até mesmo na cura de diversas doenças.
Outro problema que pode ocorrer com o desmatamento é o aumento da erosão do solo, podendo provocar, dessa forma, assoreamento de rios e lagos, assim como aumenta a possibilidade de inundações, em função do assoreamento.
EL NIÑO E LA NIÑA
El Niño e La Niña, fenômenos climáticos responsáveis por grandes alterações no clima do Brasil e de algumas regiões do planeta, caracterizam-se por mudanças periódicas na temperatura do oceano Pacífico e na intensidade dos ventos alísios, entre as costas do Peru e da Austrália.
Quando a temperatura do oceano, nas proximidades do Equador, sobe acima da média, ocorre o El Niño. Quando a temperatura do oceano diminui para índices abaixo da média, ocorre o fenômeno La Niña.
El Niño é um fenômeno climático natural cuja identificação só se tornou possível com a utilização de satélites no levantamento dos dados climáticos em escala planetária. O aumento da temperatura do oceano provoca maior intensidade de evaporação, com crescimento do índice de chuvas em algumas regiões do planeta e ocorrência de estiagem em outras.
A origem do fenômeno é polêmica, mas a partir de 1998 constatou-se o seguinte: quando os ventos que descem da cordilheira dos Andes, que deslocam as águas mais quentes da superfície em direção à Austrália, perdem intensidade, as águas mais profundas e frias não emergem. O motivo dessa mudança de intensidade dos ventos ainda é desconhecido.
Nos anos de ocorrência do El Niño, a América do Sul é cortada no sentido Noroeste-Sudeste por uma nova massa de ar, quente e úmida, devido à alteração dos centros de pressão.
Intercalado com os períodos do El Niño, ocorre o fenômeno La Niña, uma diminuição , também imprevisível, da temperatura das águas do oceano Pacífico. Nos anos em que se manifesta, esse fenômeno é responsável pela maior penetração das massas polares no território brasileiro. Elas atuam de forma mais intensa durante a primavera, principalmente na região Sul e nas proximidades do Trópico de Capricórnio.
DESERTIFICAÇÃO/ARENIZAÇÃO
60 milhões de hectares de terras produtivas se tornam irrecuperáveis a cada ano no mundo. Contribuem para a desertificação: o desmatamento, a renovação sucessiva do material vegetal sobre o solo, a superexploração do solo. As áreas expostas ao problema da desertificação, de acordo com a ONU, são apontadas na região dos Andes (ao sul), Sudeste Asiático, a Faixa do Sahel na África e o Mar de Aral, o Sertão Nordestino e o Sul do Brasil.
Obs.: Segundo a professora Dirce Suertearay, o RS não apresenta processo de desertificação, mas sim arenização, já que o índice pluviométrico da região é alto (1400mm/ano). O processo de arenização resulta no empobrecimento do solo e aumento da erosão.
IMPERMEABILIZAÇÃO DO SOLO URBANO
A água, em relação ao seu ciclo hidrológico, apresenta três destinos principais, a partir do momento em que ela precipita: a infiltração da água no solo, o escoamento superficial e a evaporação. Com a infiltração da água, os lençóis subterrâneos são abastecidos; com o escoamento superficial, a água escoa direto para os cursos fluviais da região; com a evaporação, a água volta para a atmosfera.
Nas grandes cidades, porém, existe um aumento do escoamento superficial e uma redução da infiltração da água no solo, em função da impermeabilização do solo urbano. Em função desse aumento do escoamento superficial, aumenta também as chances de ocorrência de enchentes nas grandes cidades, como ocorre constantemente em São Paulo (a cidade de São Paulo é cruzada por dois importantes rios, o Pinheiros e o Tietê) e, com uma freqüência menor, em Porto Alegre. A situação se agrava em função do despejo de lixo nas margens desses cursos fluviais, o que aumenta ainda mais a possibilidade de enchentes.
A QUESTÃO DA ÁGUA
A água existente para o consumo humano é bastante reduzida. Apesar de 3/4 da superfície do planeta ser coberta por água, apenas 2,7% desse total é água doce, ou seja, que pode ser consumida. Porém, de toda essa água doce, 77,2% estão em estado sólido (gelo), 22,4% são águas subterrâneas, 0,35% é de água de lagos e pântanos, 0,04% é de água em estado gasoso na atmosfera, e apenas 0,01% é de água dos rios. Se levarmos em conta toda a água existente no planeta, a água de rios representa apenas 0,00027% de toda água e parte deste percentual já está comprometido pela poluição.
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