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Química
O ÁCIDO FOSFÓRICO E A DESCALCIFICAÇÃO: UM PROBLEMA ESTEQUIOMÉTRICO !!!
Prof. Mateus Andrade


O tecido ósseo é constituído, essencialmente, de CaCO3 e Ca3(PO4)2, não em proporções molares iguais.
Se analisarmos a percentagem de cálcio nesses dois sais, percebe-se que no fosfato de cálcio essa percentagem é inferior à do carbonato, pois:

CaCO3 – massa molar 100 g/mol, sendo que 40g é cálcio (40%)

Ca3(PO4)2 – massa molar 310 g/mol, sendo que 120g é cálcio (aprox. 38%)

Em 1978 uma importante revista americana, que publica artigos na área da medicina e bioquímica publicou uma pesquisa realizada por dois médicos americanos e um bioquímico espanhol cujo objetivo inicial era investigar a Fenilcetonúria, tendo em vista que alguns refrigerantes que já utilizavam o aspartame como aditivo edulcorante, eram largamente comercializados nos EUA. Paralelamente a essa investigação esse grupo de cientistas, usando dois grupos de controle (adolescentes de Los Angeles e adolescentes de zona rural) pesquisaram as possíveis diferenças na composição do tecido ósseo desses dois grupos de adolescentes. Observaram que o grupo de adolescentes da zona rural apresentavam uma percentagem de cálcio superior aos adolescentes de Los Angeles, por unidade de massa de tecido ósseo analisado. Essa diferença foi atribuída ao eventual consumo de refrigerantes do tipo “cola” por parte desse ultimo grupo.

Na realidade, a ingestão de quantidades razoáveis de ácido fosfórico ou fosfato em meio muito ácido permite a absorção metabólica desses fosfatos e sua permuta estequiométrica com os carbonatos. Como a percentagem de cálcio sob a forma de fosfato é menor do que sob a forma de carbonato, essa permuta estequiométrica faz com que a quantidade de cálcio numa determinada massa constante de tecido ósseo se reduza quando a alimentação for rica em fosfatos.

Supondo que 1,0 kg de tecido ósseo tenha uma proporção 1:1 desses dois sais (0,5 kg de carbonato e 0,5 kg de fosfato), a percentagem de cálcio sob forma de carbonato é maior do que sob a forma de fosfato (vide cálculos acima). Se houver uma permuta estequiométrica pela ingestão de ácido fosfórico ou fosfatos em meio ácido haverá mais fosfato de cálcio do que carbonato. Embora a massa de tecido ósseo continue sendo a mesma (1,0 kg) haverá mais fosfato do que carbonato e, portanto, menos cálcio, caracterizando a descalcificação.

No Jornal da USP, 3/9 de Setembro de 1998, página 7, o Prof. José Atílio Vanin explica o mesmo que foi exposto acima, ressaltando para os problemas causados por uma alimentação muito rica em fosfatos, embora esses sejam metabolicamente importantes como fonte energética celular (constituição do Trifosfato Adenosina e Difosfato Adenosina – ATP e ADP).
 


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